sábado, 15 de janeiro de 2011

Repórteres chegam a lugares isolados pelas enchentes

Três dias que provocaram mais de 500 mortes na Região Serrana do Rio de Janeiro, ainda há comunidades isoladas, onde o socorro não chegou. Renata Vasconcelos apresentou o JN, ao vivo, de Teresópolis, um dos municípios mais devastados pela enxurrada e pelos deslizamentos de terra.

O bairro Caleme foi uma das regiões mais atingidas da cidade. Esta está sendo considerada a maior tragédia climática já registrada no Brasil.

Em muitos dos lugares onde houve desmoronamentos, há mortos, mas ainda não foi possível fazer buscas nesses locais. Em uma localidade bem distante, um morro desmoronou em cima de um condomínio, uma grande massa de lama e entulho ficou por cima, e nenhum corpo foi resgatado, não se sabe ao certo quantas pessoas morreram por lá.

Tiago Eltz e o repórter cinematográfico Sérgio Leite embarcaram em helicópteros da Marinha e dos Bombeiros para chegar a lugares onde é impossível ir por terra e para mostrar o trabalho de ajuda a pessoas que estão isoladas de tudo, há dias.

No quartel da Polícia Militar usado de base para os helicópteros, o movimento é intenso. A todo momento, chegam aeronaves cheias de histórias de desespero.

São pessoas resgatadas de áreas destruídas e os pedidos de socorro não param. Um homem conseguiu sair de casa, mas deixou os pais e um sobrinho para trás. Os bombeiros foram fazer o resgate.

No caminho, sobrevoam a devastação causada em Nova Friburgo. A retirada é rápida.

Todos estão bem e são levados para uma comunidade mais próxima, mas nem é possível voltar para base. Lá mesmo, mais pedidos de ajuda. Agora os bombeiros seguem para buscar uma mulher ferida em um desabamento. Encontram a sobrevivente de mais uma casa destruída.

Além dos dois helicópteros dos bombeiros, dois da PM e dois da Marinha ajudam nas buscas. Foi com a Marinha que a equipe de reportagem do JN acompanhou outra missão. O objetivo era chegar a moradores isolados para levar mantimentos.

O motivo do isolamento: um rio subiu tanto que derrubou uma ponte. As dezenas de pessoas ilhadas pediam socorro assim que enxergaram o helicóptero.

Em lugares isolados como este, a maior parte das pessoas está bem de saúde, mas estão isoladas há dois, três dias. Tanto tempo sem ajuda até que as pessoas possam sair, começa a faltar tudo, principalmente água potável.


Mas só água não é suficiente. Há três dias isolados, falta tudo: “Estamos precisando de remédio, gente, de comida, de tudo, gente! Remédios, cestas básicas, pelo amor de Deus!”, pede uma moradora.

E como tem acontecido sempre chegam mais pedidos de socorro. Após entregarem água, bombeiros receberam a informação de que, próximo de onde estavam, havia pessoas passando mal e feridos. E eles seguiram para o local para verificar a informação.

Alguns minutos de voo, e a equipe encontra mais um drama da tragédia que não tem fim: “Acabei perdendo uma neta. Está sendo sepultado hoje. Um acidente de barreira da casa”, contou uma moradora.


E mais gente que está ficando sem ter o que comer: “Eu tenho um sítio e estou matando galinha para distribuir, senão, não dá. Vai acabar. Daqui três, quatro dias não vai ter o que comer”, destacou outro morador. capitão de corveta José Fabio Carneiro.

Esse trabalho se repete dezenas de vezes, durante todo o dia. Mas ao acompanhar de cima do helicóptero, o tamanho da destruição, a impressão que se tem é que, com todos os helicópteros e com todas as viagens, a demanda está sendo muito difícil se ser suprida.

A paisagem devastada e os pedidos de ajuda que não podem ser atendidos imediatamente vão minando a resistência dos mais experientes nessas situações. “Às vezes, a gente identifica o local, mas o pouso não é possível em virtude de não ter uma área que possibilite um pouso seguro. O que a gente tem aqui é de grande proporção, ou seja, é uma coisa que eu particularmente eu nunca tinha visto. A gente quer realmente atender a todos, com segurança, mas toca o emocional realmente”, declarou o capitão de corveta José Fabio Carneiro.

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